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Thursday, August 27, 2009

O outro lado de mim...


Magoado, decepcionado, um lado de mim vive assim.
É o lado sentimental, o lado que sente o amor, o carinho, todos os afectos, todas as emoções. Calado, sozinho, vive o outro lado.
É o lado da razão, o que sabe o que é certo, o que é errado.
Vivem em conflito!
Eu?
Fico sem rumo, sem saber qual deles seguir.
Quando tento seguir o meu lado mais bonito, o sentimental, prestes a embarcar em seus devaneios… sorrindo feliz, algo vem e me abana!
E como se se tratasse de um ser superior, ralha-me, amedronta-me… é o meu lado mais preciso. É a razão!
Dois lados assim, fazem com que viva em dois mundos.
O mundo de persianas abertas… e o outro, o de persianas fechadas.
No mundo de persianas abertas, é o lado da razão quem governa.
Nada de sentimentos.
Este lado sabe que está certo, deixa-me acomodada ao meu recanto.
Em meu olhar, e porque estão abertas as persianas, os sonhos perdidos pedem abrigo, querem juntar-se ao outro meu lado, onde sabem que serão ouvidos.
Mas, as persianas não cedem e, a razão dá as ordens!
Nenhum lado, quer o sentimental, quer o da razão, pode algum dia viver separado, daí a construção de dois mundos.
Para que vivam em harmonia.
Recostada, fecho as persianas.
Vivo o meu lado sentimental.
Neste meu lado sou mais feliz, sou eu, a verdadeira.
Contrariando-me, sinto que algo me falta.
Falta-me tudo o que o meu lado da razão protege, tudo o que esse lado defende.
Quem me entende?
Sempre precisarei dos meus dois lados, mesmo que vivam magoados, mesmo que um deles viva triste, sozinho.
Os dois fazem parte de mim… só os meus dois lados sou eu!
Se ao menos o lado da razão parasse, e escutasse o outro lado de mim, se tentasse entenderem-se… quem sabe eu viveria o meu sonho?
Da mesma forma, se o lado sentimental fizesse o mesmo, se parasse e escutasse o outro lado de mim, o lado da razão e, desta forma se entendessem… quem sabe eu viveria no sonho de alguém?
Fico-me pelo mundo das persianas, abertas ou fechadas são quem comanda, quem dita as regras. Sempre dependerei do outro lado de mim!

Antónia Serafim

Fonte: https://sites.google.com/site/rotasdapaz/Home

Tuesday, August 25, 2009

Sábios silêncios!


Sábio, muito mais que qualquer palavra… é o silêncio.
Nossos silêncios são quem melhor nos conhece, quem mais sabe de nós. Se amamos, não são necessárias palavras. Os sentimentos revelam-se no silêncio de um olhar, de um beijo, em cada entrega silenciosa. Nenhuma palavra exprimiria com tanta exactidão o que vai em nossos corações. Silêncios que tudo dizem, que nos revelam.
Não só de amor fala o silêncio. Quando, esse mesmo amor amorna, quando se esvai, como água por entre os dedos. Por mais palavras que se diga, que se escute… nenhuma tem o poder, a verdade que o silêncio contém e, é também aqui que o silêncio nos alerta, nos sacode para a nova realidade.
Somos um livro escrito de silêncios. Todos nos lemos, deixando para trás páginas dessa leitura que, por serem tão verdadeiras, por tanto saberem de nós, nos maltratam, nos magoam. Livros, leituras são isso mesmo… é a possibilidade de passar à frente ou voltar atrás, onde o silêncio é preterido em favor das palavras. Palavras que mentem. Mas, que, de tão bonitas que são, criam em nós a ilusão de que o silêncio se cala, que já não o escutamos… leituras num livro escrito de silêncios. De sábios silêncios!


O silêncio que me fala de saudade, de amor, é quem me fala sobre toda a minha realidade. A verdade dos sentimentos, o que represento para quem me rodeia… quais os sentimentos que essas pessoas nutrem por mim. Tudo o que essas mesmas pessoas significam para mim. Não as palavras, só o silêncio tem esse poder, só ele é verdadeiro.
Muitas vezes, floreio meus sentimentos com lindas palavras, tento que falem mais alto, que abafem o som que me ensurdece, que me fere. Palavra colorida que, à semelhança de um jardim perfumado, me deixa a leste de mim mesma. Consciente ou inconscientemente, abafo o segredo que o silêncio me revela. Faço de conta e, até sinto o perfume que exala da palavra. É num recanto escondido que adormeço meus sábios silêncios. Não ignoro que posso retirar-lhe a voz, todos os seus sons, mas, nunca a sua sabedoria!
Fico-me pelas palavras. Sei que mentem, mas, são tão mais bonitas, com elas vivo minha fantasia, aquela, que o silêncio não me permite.
Antónia Serafim
Fonte: