Showing posts with label Metáfora. Show all posts
Showing posts with label Metáfora. Show all posts

Friday, October 30, 2009

“O Coração, a Ave e a Alma”

“O Coração, a Ave e a Alma”
(ou simplesmente “Metáfora”)

As flores silvestres florescem à margem da estrada.
Os pais, e os filhos.
Os filhos, e os seus pais.
A vida terrena, esta curta caminhada.
Os teus passos, para onde te conduzirão?...
A vida terrena, esta curta caminhada.
Pegadas deixadas na areia húmida, que em breve as ondas apagarão.
Rostos e nomes, que em breve a brisa carregará.
As emoções, o sentir e o pensar...
Os desejos, as esperanças, e o sonhar...
Cada dia é precioso, cada hora, sagrada...
A vida é um quadro, ao qual adicionamos novas pinceladas, todo novo dia.
Passam os homens, ficam as obras.
Nesta breve vida terrena, pouca coisa realmente importa...
Purificar o coração.
Cuidar do olhar.
Os olhos: as janelas da alma.
A alma: o que sabemos sobre ela?...
Aproveitar os nossos breves dias para sentir o carácter sagrado da existência, o calor sagrado de cada novo dia...
Ter ouvidos para o Silêncio, capaz de tocar mais fundo que os mais belos discursos.
Ter um coração capaz de vivenciar o mistério da fraternidade que une todas as formas de vida.
Amar.
As memórias afectivas que nos acompanham.
As metáforas poéticas que nos sustentam.
E dentre as metáforas poéticas que os versos sagrados utilizam, uma das mais belas é a que compara o corpo a uma gaiola, e a alma a uma ave que nela habita.
A alma, puro sopro, é eterna.
O corpo, frágil argila, sofre os efeitos do tempo.
“Imaginar que o espírito pereça ao morrer o corpo, é como imaginar que o pássaro morra ao quebrar-se a gaiola.
Nosso corpo é apenas a gaiola, enquanto o espírito é o pássaro.”
“A alma não está encerrada no corpo, como o pássaro numa gaiola.
Ela irradia e se manifesta no exterior, como a luz através de um globo de vidro ou como o som em redor de um centro sonoro...”
Aproveitar os nossos breves dias para cuidar do corpo e da mente, do coração
e da alma.


“Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova dentro de mim um espírito inabalável.”
Salmo 51:10

Cultivar “um coração puro”, e “um espírito inabalável”.
(tudo mais passa...)
O mundo de cada um é os olhos que tem.
Dirigir o olhar para a Luz que jamais se apaga.
Ter olhos para o Invisível.
As asas do espírito.
O suave voo.
As alturas mais sublimes.
E as melodias da alma...
As asas do espírito.
O suave voo.
As alturas mais sublimes.
E as melodias da alma...

Friday, October 10, 2008

Movendo Montanhas


Havia nos Andes duas tribos em guerra. Uma vivia na parte baixa; a outra, na parte alta das montanhas.
Um dia, a parte baixa foi invadida pelos povos do alto, que, além de saquearem os inimigos, raptaram um bebé e o levaram para as montanhas.
Os povos da parte baixa não conheciam os caminhos usados pelos povos da montanha. Não sabiam como chegar ao alto, como chegar aos inimigos ou rastrear os seus passos pelos terrenos escarpados.
Mesmo assim, enviaram os seus melhores guerreiros para subir a montanha e trazer a criança de volta.

Os homens tentaram diferentes métodos de escalada.
Primeiro um caminho, depois outro.
Após vários dias de esforços, não tinham subido nem quinhentos metros.
Sentindo-se impotentes e sem esperança, os homens da parte baixa consideraram a causa perdida e se prepararam para voltar para a sua cidade.

Enquanto arrumavam o equipamento para a descida, viram a mãe do bebé andando na direcção deles. Perceberam que ela estava descendo a montanha que eles não tinham conseguido subir.
E então descobriram que o bebé estava amarrado às costas da mulher.
Como era possível?
Um dos homens saudou-a, dizendo:
- Nós não tivemos êxito em subir a montanha. Como você chegou ao alto se nós, os homens mais fortes e capazes da cidade, não conseguimos?

Ela encolheu os ombros e respondeu:
- É que não era o filho de vocês que estava lá.

(Em Nome do Amor)

Thursday, October 9, 2008

O Pedreiro


Um velho pedreiro que construía casas estava pronto para se reformar.
Ele informou o chefe, do seu desejo de se reformar e passar mais tempo com a sua família.
Ele ainda disse que sentiria falta do salário, mas realmente queria reformar-se.
A empresa não seria muito afectada pela saída do pedreiro, mas o chefe estava triste em ver um bom funcionário sair e ele pediu ao pedreiro para trabalhar em mais um projecto, como um favor.
O pedreiro não gostou mas acabou por concordar.

Foi fácil ver que ele não estava entusiasmado com a ideia.
Assim ele prosseguiu fazendo um trabalho de segunda qualidade e usando materiais inadequados.
Quando o pedreiro acabou, o chefe veio fazer a inspecção da casa construída.
Depois de inspeccioná-la, deu a chave da casa ao pedreiro e disse:
"Esta é a sua casa. Ela é o meu presente para você".
O pedreiro ficou muito surpreendido. Que pena! Se ele soubesse que estava a construir a sua própria casa, teria feito tudo diferente....

O mesmo acontece connosco...
Nós construímos a nossa vida, um dia de cada vez, e muitas vezes fazendo menos que o melhor possível na sua construção.
Depois, com surpresa, nós descobrimos que precisamos de viver na casa que nós construímos. Se pudéssemos fazer tudo de novo, faríamos tudo diferente. Mas não podemos voltar atrás.

Tu és o pedreiro.
Todo o dia martelas pregos, ajustas tábuas e constróis paredes.
Alguém já disse que: "A vida é um projecto que tu mesmo constróis".
As tuas atitudes e escolhas de hoje estão a construir a "casa" em que vais morar amanhã.

Thursday, August 28, 2008

Serapião


Serapião era um velho mendigo que preambulava pelas ruas da cidade.

Ao seu lado, o fiel escudeiro, um vira-lata que atendia pelo nome de Malhado. Serapião não pedia dinheiro.
Aceitava sempre um pão, uma banana, um pedaço de bolo ou um almoço feito com sobras de comida dos mais abastados.

Quando as suas roupas estavam imprestáveis, logo era socorrido por alguma alma caridosa.
Mudava a apresentação e era alvo de brincadeiras.

Serapião era conhecido como um homem bom, que perdera a razão, a família, os amigos e até a identidade.
Não bebia bebidas alcoólicas, estava sempre tranquilo, mesmo quando não havia recebido nem um pouco de comida.

Dizia sempre que Deus lhe daria um pouco na hora certa e, sempre na hora que Deus determinava, alguém lhe estendia uma porção de alimentos. Serapião agradecia com reverência e rogava a Deus pela pessoa que o ajudava.

Tudo que ganhava, dava primeiro para o malhado, que, paciente, comia e ficava a esperar por mais um pouco. Não tinha onde dormir, onde anoiteciam, lá dormiam. Quando chovia, procuravam abrigo debaixo da ponte e, ali o mendigo ficava a meditar, com um olhar perdido no horizonte.

Aquela figura deixava-me sempre pensativo, pois eu não entendia aquela vida vegetativa, sem progresso, sem esperança e sem um futuro promissor. Certo dia, com a desculpa de lhe oferecer umas bananas fui falar com o velho Serapião.
Iniciei a conversa falando do Malhado, perguntei pela idade dele, o que Serapião, não sabia.

Dizia não ter ideia, pois se encontraram um certo dia quando ambos andavam pelas ruas e falou:
A nossa amizade começou com um pedaço de pão, ele parecia estar faminto e eu ofereci~lhe um pouco do meu almoço e ele agradeceu, abanando o rabo, e daí, não me largou mais.

Ele ajuda-me muito e eu retribuo essa ajuda sempre que posso. Curioso perguntei:
Como é que vocês se ajudam?
Ele me vigia quando estou dormindo; ninguém pode chegar perto que ele late ataca.
Também quando ele dorme, eu fico vigiando para que outro cachorro não o incomode.

Continuando a conversa, perguntei: Serapião, você tem algum desejo na vida? Sim, respondeu ele - tenho vontade de comer um cachorro quente, daqueles que a Zezé vende ali na esquina.É, no momento é só isso que eu desejo.

Pois bem, vou satisfazer agora esse grande desejo.
Saí e comprei um cachorro quente para o mendigo. Voltei e lhe entreguei-lho.
Ele arregalou os olhos, deu um sorriso, agradeceu a dádiva e em seguida tirou a salsicha, deu para o Malhado, e comeu o pão com os temperos.

Não entendi aquele gesto do mendigo, pois imaginava ser a salsicha o melhor pedaço, não me contive e perguntei intrigado:
Por que você deu para o Malhado, logo a salsicha?
Para o melhor amigo, o melhor pedaço!
E continuou comendo, alegre e satisfeito.

Despedi-me do Serapião, passei a mão na cabeça do Malhado e sai pensando...
Aprendi como é bom ter amigos.
Por outro lado, é bom ser amigo de alguém e ter a satisfação de ser reconhecido como tal.
Jamais esquecerei a sabedoria daquele eremita:

" PARA O MELHOR AMIGO O MELHOR PEDAÇO "

Autor (a) texto: Desconhecido

Sunday, August 24, 2008

O Poço e a Pedra




(Masaharu Taniguchi in "A verdade da Vida)

Um monge peregrino caminhava por uma estrada quando, do meio da relva alta, surgiu um homem jovem de grande estatura e com olhos muito tristes. Assustado com aquele aparecimento inesperado, o monge parou e perguntou se poderia fazer algo por ele. O homem abaixou os olhos e murmurou envergonhado:

- "Sou um criminoso, um ladrão. Perdi o afecto dos meus pais e dos meus amigos. Como quem afunda na lama, tenho praticado crime após crime. Tenho medo do futuro e não sinto sossego por nenhum instante. Vejo que o senhor é um monge, livre-me então desse sofrimento, dessa angústia!" - pediu ajoelhando-se.

O monge, que ouvira tudo em silêncio, fitou os olhos daquele homem e alguns instantes depois disse:

- "Estou com muita sede. Há alguma fonte por aqui?"
Com expressão de surpresa pela repentina pergunta, o jovem respondeu:
"Sim, há um poço logo ali, porém nele não há roldana, nem balde. Tenho aqui, no entanto, uma corda que posso amarrar na sua cintura e descê-lo para dentro do poço. O senhor poderá tomar água até se saciar. Quando estiver satisfeito, avise-me que eu o puxarei para cima."

O monge sorrindo aceitou a ideia e logo em seguida encontrava-se dentro do poço. Pouco depois, veio a voz do monge: "pode puxar!"
O homem deu um puxão na corda empregando grande força, mas nada do monge subir. Era estranho, pois parecia que a corda estava mais pesada agora do que no início.
Depois de inúteis tentativas para fazer com que o monge subisse, o homem esticou o pescoço pela borda, observou a semi-escuridão do interior do poço para ver o que se passava lá no fundo. Qual não foi sua surpresa ao ver o monge firmemente agarrado a uma grande pedra que havia na lateral. Por um momento ficou mudo de espanto, para logo em seguida gritar zangado:

- "Ei, que é isso? O que faz o senhor aí? Pare já com essa brincadeira! Está escurecendo, logo será noite. Vamos, largue essa rocha para que eu possa içá-lo".

De lá de dentro o monge pediu calma ao rapaz, explicando:

- "Você é grande e forte, mas mesmo com toda essa força não consegue me puxar se eu ficar assim agarrado a esta pedra. É exactamente isso que está acontecendo consigo. Você se considera um criminoso, um ladrão, uma pessoa que não merece o amor e o afecto de ninguém. Encontra-se firmemente agarrado a essas ideias. Desse jeito, mesmo que eu ou qualquer outra pessoa faça grande esforço para reerguê-lo, não vai adiantar nada".
Tudo depende de você. Somente você pode resolver se vai continuar agarrado ou se vai se soltar. Se quer realmente mudar, é necessário que se desprenda dessas ideias negativas que o vêm mantendo no fundo do poço. Desprenda-se e liberte-se".

******
Masaharu Taniguchi nasceu no Japão, em Kobe, em 1895, e faleceu em Nagasaki, aos 92 anos de idade. Foi um líder religioso japonês, que fez os seus estudos em Literatura Inglesa, na Universidade de Tóquio. Realizou várias viagens à Europa e Américas, do Canadá ao Brasil. Depois de muitos anos de recolhimento e reflexão, declarou ter recebido uma revelação divina, que o obrigava a dar a conhecer ao mundo os seus pensamentos. Compilou-os no livro " A verdade da Vida", onde consta este texto. A sua doutrina defende que "todos têm possibilidade de atingir a sua realização espiritual" e que "a vida pode ser harmoniosa e alegre em todos os aspectos"