Showing posts with label Saudade. Show all posts
Showing posts with label Saudade. Show all posts

Saturday, November 29, 2008

Saudades ...


Que saudades!
Como pode alguém sentir saudades do que nunca houve?
Como pode alguém sentir saudades do que nem viveu?
É como estou hoje,
Com saudades!
Morrendo de saudades dos sonhos que criei,
Chorando de saudades das horas que imaginei,
Das histórias que sonhei.
Hoje estou assim,
Querendo que o tempo vá para onde eu quero,
Para onde ele nunca esteve.
Mas a saudade é tanta que me paralisa,
É muita saudade
E nem aconteceu
E nada eu vivi.
Como se pode sentir saudades de uma época que não existiu?
De fantasias e de promessas que nunca se concretizaram?
Por que sentir saudades de um futuro inventado
quando há um presente imenso para se viver?
Mas não se manda no coração.
O coração é pretensioso e quase sempre faz o que quer,
A razão até tenta dominar,
Mas raramente consegue.
E por causa do coração a gente faz um monte de asneiras
E fica esperando, esperando...
Esperando que tudo volte a ser como antigamente...
Ou pior,
Que tudo seja como criamos em nossos sonhos mais recorrentes.

Monday, July 7, 2008

Saudades ...



As contrariedades da vida, levam-nos por vezes, a sítios que julgávamos nunca visitar.
Lugares escuros e sombrios, onde vivem os nossos medos e pesadelos.
Falta-nos a força para seguir em frente, para lutar contra tudo.
Por vezes é nesses mesmos sítios que encontramos a vontade e o querer, que nos fazem erguer a cabeça e dar graças por estarmos vivos, por termos dois braços e duas pernas que nos fazem mexer, vontade de voltar a tentar, de voltar a crescer, enfrentar a vida e vê-la com outros olhos.
O fim é só o início.
O início de uma nova etapa, de uma nova vida...
Uma vida sem alguém, que tanta falta nos faz...
Uma vida sem tudo o que passamos e que nos trás saudades.
Um novo começo, onde ficamos à espera, com todo o tempo do mundo.
As vezes nem sabemos do que senti-mos falta, não sabemos se queremos voltar a vê-lo outras vez fica tudo confuso demais, e depois….
Depois adormeço mergulhada numa escuridão imensa, cheia de luz e de medo, o sol queima a minha pele branca, e ouço…
Ouço a sua voz, dentro de mim, a espuma branca do mar no meu cabelo, o sol que continua a queimar e então…
Nada muda, nada fica, e quando olho em redor, nada lá está, e a luz não nos deixa sentir, nem o negro da noite, e então...
Então não sei o que mais fazer e desespero, procuro apagar, tirar o sol da minha frente, que me queima, frio, que me falta, noite, e então, então acordo e não adormeço mais.
Na minha cama quente e só, acordo para não mais dormir, nem recordar, o sol que me queimava, e não queimou, o negro que me faltava e não faltou, a noite que procurava me achou, acordo novamente e de novo, como novo, para uma nova vida.

Sunday, June 29, 2008

O Amor e a Saudade

Um dia o amor perguntou para a saudade:
Por que teimas em entrar nos corações das pessoas?
E com um suspiro melancólico a saudade respondeu:
Chego nos corações onde tu deixaste de habitar, e quando entro neles encontro tudo desarrumado, sem vida, sem perspectiva de um futuro feliz.
E então, começo a arrumar tudo no seu devido lugar.
E quando tudo está arrumadinho tu voltas com o teu ar brejeiro e tomas conta novamente do lugar.
Então, o amor sorrindo, respondeu:
Faço parte da vida das pessoas.
Trago alegria, felicidade e a esperança que todos necessitam para viver.
E só saio dos corações das pessoas que não confiam em mim...

Sunday, June 15, 2008

Saudade


Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Uma estalada, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, doem as cólicas, as cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a SAUDADE.

Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade de um filho que estuda fora.
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.

Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é basicamente não saber.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu.
Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada; se ele tem assistido às aulas de inglês, se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial;
Se ela aprendeu a estacionar entre dois carros;
Se ele continua preferindo Malzebier;
Se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados;
Se ele continua cantando tão bem;
Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos;
Não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento;
Não saber como travar as lágrimas diante de uma música;
Não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer.

É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...
É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer;
Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler...



" Miguel Falabella Texto publicado no Jornal "O Globo" "